Como reduzir a conta da eletricidade num restaurante?

Com o aumento dos preços da energia, fomos à procura de soluções para reduzir os custos da eletricidade nas nossas cozinhas. Agora partilhamos estas dicas convosco.

Para além do impacto ambiental, o aumento do custo da energia está a ter um grande impacto na restauração. Vamos explorar como os restaurantes podem reduzir o consumo de energia da cozinha comercial e desempenhar o seu papel no cuidado do nosso planeta.

Quantidade de energia utilizada pelos restaurantes?

A indústria de catering/restauração é diversificada. Isto significa que o consumo médio de energia entre duas empresas será drasticamente diferente. Por exemplo, um café usará significativamente menos energia do que uma churrascaria.

O consumo médio anual de energia para restaurantes com base no tamanho é:

  • Microempresas – 5.000 kWh a 14.000 kWh
  • Pequenas Empresas – 15.000 kWh a 24.000 kWh
  • Empresas de médio porte – 25.000 kWh a 45.000 kWh
  • Grandes Empresas – 50.000 kWh a 65.000 kWh

No entanto, o uso de gás em muitos restaurantes frequentemente excede estas estimativas. Principalmente porque o aumento do preço do gás foi bastante superior ao da energia elétrica.

Mas há boas notícias, porque uma grande percentagem deste consumo energético é desperdiçado e, com algumas destas dicas, podemos começar a poupar e reduzir a fatura da energia.

Dicas de poupança de energia para cozinhas comerciais

Limpeza e Manutenção Regular do Equipamento

A falta de manutenção e limpeza de equipamentos de cozinha comercial é uma causa major de desperdício de energia num restaurante. Por exemplo, as borrachas soltas nas portas do forno resultam em perda de calor, o que equivale a desperdício de energia. Outros problemas comuns ocorrem nas juntas de fornos, queimadores a gás, frigoríficos e congeladores.

No caso destes últimos, muitas cozinhas nunca limparam os filtros dos frigoríficos, que acumulam pó e gordura, bloqueando completamente a saída de ar, aquecendo o equipamento e obrigando-o a usar mais potência.

Os frigoríficos industriais precisam de algum espaço de respiração interior. Encher o frigorífico, barrando os respiradouros, vai prejudicar o bom funcionamento da máquina, aumentando o consumo de energia e não refrigerando convenientemente os alimentos.

Invista em equipamentos energeticamente eficientes

Trocar os equipamentos antigos por equivalentes mais eficientes em termos de energia é, nesta fase, impensável para muitos restaurantes portugueses que ainda estão a lidar com a ressaca dos anos de crise. Ao mesmo tempo, pode parecer que não é um bom investimento. Mas, a médio-longo prazo, esta jogada pode economizar milhares de euros por ano em custos operacionais.

A forma mais racional é tentar ver quais os equipamentos mais antigos, que talvez sejam a causa de maior consumo, e avaliar a diferença na fatura desse mês.

Banir o “Stand-By” – Desligar Equipamentos Inativos

A quantidade de energia poupada por carregar no botão “off” pode ser enorme. Há uma enorme quantidade de energia desperdiçada todos os dias com equipamentos ociosos a funcionar sem estarem a produzir. Se o equipamento não está a ser usado, por que não desligá-lo?

Há muitas maneiras de aplicar isto numa cozinha:

  • Iluminação temporizada ou iluminação alimentada por sensores de movimento.
  • Controlos inteligentes para iniciar ou desligar aparelhos remotamente.
  • Controlo com um programador no quadro de luz que desliga automaticamente a partir de certa hora.

Formação de empregados

Todas estas dicas são inúteis se os vossos empregados não tiverem formação sobre o assunto e forem negligentes com a utilização do equipamento. É necessário formá-los, explicar-lhes que é importante para o restaurante, para o planeta e, desta forma, para eles também.

Colocar lembretes nas paredes tem um impacto visual que ajuda a lembrar todas as diretrizes e a criar rotinas. Uma boa explicação do novo protocolo, destacando a importância da poupança de energia em todas as sessões de formação e aos novos empregados, garante que comecem com o pé direito.

Implementação de um layout de cozinha com eficiência energética

O layout de uma cozinha comercial tem ligações diretas com a eficiência e o consumo de energia das operações e dos funcionários. Há erros básicos, como equipamentos colados uns aos outros, que provocam o sobreaquecimento. Em muitas cozinhas vemos fornos colados aos frigoríficos.

1. Zonas de temperatura quente e fria

Para evitar que os aparelhos usem demasiada potência para manter as temperaturas pretendidas, devemos criar zonas separadas de temperatura quente e fria na cozinha. Por exemplo, a máquina de gelo não deve estar próxima da estação de grelhados.

2. Iluminação natural

Embora isto não seja o mais fácil de implementar, há que analisar se estamos a bloquear a luz das janelas com stock de equipamento. Em cozinhas sem janelas isto não é possível, mas para quem procura uma nova cozinha comercial para alugar, pode valer a pena procurar um espaço com janelas ou iluminação natural. Para além de poupar energia, é mais saudável para as equipas.

3. Ventilação Suficiente da Cozinha

Sistemas de ventilação adequados em todo o espaço da cozinha são vitais para manter um ambiente saudável, temperaturas adequadas e aumentar a eficiência dos equipamentos.

4. Espaço de refrigeração para aparelhos

Qualquer equipamento de refrigeração, seja uma câmara de frio ou um congelador independente, precisa essencialmente de “respirar” e expelir ar quente para fazer a permuta térmica. Portanto, o design do layout da sua cozinha deve refletir isso e todos os aparelhos de refrigeração devem ter um amplo espaço ao seu redor, caso contrário, precisam de mais energia para arrefecer.

Lâmpadas de LED

As lâmpadas de LED podem significar um investimento financeiro inicial, mas têm muitos benefícios de poupança. Além de durarem mais tempo, consomem menos energia para produzir o mesmo fluxo luminoso. Ou seja, a sua iluminação é melhor e mais eficiente do que as lâmpadas tradicionais.

Em comparação com as lâmpadas incandescentes, a eficiência energética é aumentada em 80%, o que torna os LEDs mais viáveis economicamente a médio-longo prazo. Algumas chegam a durar cerca de 50.000 horas.

Ar condicionado

Este equipamento é um grande consumidor de energia elétrica. Para reduzir o desperdício, é preciso fazer a manutenção do equipamento, substituir regularmente os filtros e limpar as linhas de condensação. Estas operações evitarão bloqueios que podem forçar o motor a trabalhar mais para arrefecer o ar, o que significa custos mais altos de eletricidade.

Também é importante não instalar o dispositivo num local exposto à luz solar direta, pois isso afeta o seu bom funcionamento.

“Em tempo de crise, não procures uma forma de poupar muito, procura antes muitas formas de poupar um pouco.”

— Bernardo Rodrigues, o Gajo do Marketing na WEAT

Entre em contacto com o seu fornecedor de energia

Muitos fornecedores de energia oferecem (alguns gratuitamente) uma avaliação de quanta energia é consumida e o respetivo custo. Depois de ter essas informações, um maior detalhe sobre os consumos permite perceber se a tarifa e a potência contratada estão adequadas ao perfil operacional e, caso não estejam, poderá otimizá-las, resultando em poupança imediata.

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